O novo drama da HBO que vai te fazer esquecer que o Steve Carell já foi o Michael Scott
Rooster prova que a HBO ainda sabe como destruir nosso emocional com Steve Carell e Danielle Deadwyler.
Gente, para tudo o que vocês estão fazendo. Eu acabei de ver o primeiro episódio de Rooster e minha única reação possível foi ficar olhando para a parede em silêncio por dez minutos. Sabe aquela sensação de que você acabou de testemunhar algo que vai mudar seu humor pelo resto da semana? Pois é. Se você achava que a HBO estava descansando depois de Succession, pode tirar o cavalinho da chuva. A nova série Rooster HBO Steve Carell chegou chutando a porta e, sinceramente, eu não estava preparada psicologicamente para o que Lee Sung Jin aprontou desta vez.
Para quem não ligou o nome à pessoa, o Lee Sung Jin é o gênio por trás de Beef (Treta), aquela série da Netflix que fez todo mundo ter uma crise existencial por causa de uma briga de trânsito. Agora, ele mudou de casa e trouxe sua bizarrice deliciosa para a HBO. E o que acontece quando você mistura o criador mais caótico da atualidade com o Steve Carell e a Danielle Deadwyler? Faísca, meu amor. Muita faísca.
A premissa parece simples, mas vindo de quem vem, você sabe que o buraco é mais embaixo. O Steve Carell interpreta um cara que está tentando manter os pedaços da sua vida minimamente colados, enquanto a Danielle Deadwyler vive uma mulher que cruza o caminho dele de um jeito que… olha, eu perdi o fôlego. Não é só um drama, não é só uma comédia ácida. É aquele tipo de história que te faz rir de nervoso porque você se identifica com as decisões erradas dos personagens. Quem nunca quis mandar tudo para o espaço em um dia de fúria?
O que mais me choca é ver o Steve Carell nesse registro. Eu sei, eu sei, a gente ama o Michael Scott e passaria o dia vendo edits de The Office no TikTok. Mas o que ele faz em Rooster é de outro planeta. A gente já sabia que ele conseguia fazer chorar desde Foxcatcher e Querido Menino, mas aqui tem uma camada de cansaço existencial que dói na gente. Ele está envelhecido, ele está triste, ele está perigoso. É aquele tipo de atuação que grita Emmy desde o primeiro frame.

E a Danielle Deadwyler? Alguém entrega todos os prêmios do mundo para essa mulher agora? Depois do que ela fez em Till e Station Eleven, eu achei que não teria como me surpreender mais, só que ela consegue entregar uma intensidade que atravessa a tela. A dinâmica entre os dois é o coração da série. Eles não são exatamente amigos, não são exatamente inimigos, são duas pessoas quebradas tentando navegar em um mundo que parece que desistiu deles. É uma fofoca de alto nível, mas com roteiro de primeira.
Bastou um episódio para eu ficar colada no sofá querendo mais. A HBO sabe muito bem como prender a gente com aquele ritmo que vai cozinhando em fogo baixo até que, de repente, explode um cliffhanger que te deixa gritando com a TV. Lembra como era esperar por Industry toda semana? A sensação é bem por aí, mas com uma pegada muito mais íntima e, de certa forma, mais cruel. Se você curtia aquele caos, vai se sentir em casa com o desconforto de Rooster.
Falando em Brasil, a série estreou na Max simultaneamente com os Estados Unidos, o que é um alívio para a nossa ansiedade. O Twitter brasileiro já está naquele esquema: metade das pessoas chorando com a atuação do Carell e a outra metade fazendo memes sobre como a vida adulta é exatamente aquele caos. É muito bom ver uma série que consegue gerar essa conversa imediata, sabe? Não é aquele conteúdo descartável que você vê e esquece no dia seguinte. Rooster fica grudado na sua cabeça como uma música chiclete, só que em vez de música, é um trauma emocional compartilhado.
Uma coisa que eu notei e que me deixou bem pensativa é como a série lida com o fracasso. Enquanto todo mundo finge que é super bem-sucedido no Instagram, ver personagens que falharam miseravelmente em coisas básicas é quase terapêutico. O Lee Sung Jin tem esse toque de Midas para transformar o nosso “lado B” em arte. Ele pega aquelas inseguranças que a gente só conta para a terapeuta e coloca na boca do Steve Carell. É corajoso, é feio e é absolutamente lindo de assistir.
A produção técnica também não brinca em serviço. A trilha sonora é daquelas que te deixa ansiosa só de ouvir os primeiros acordes e a fotografia usa umas cores que passam exatamente aquela sensação de “está tudo bem, mas na verdade nada está bem”. É o padrão HBO de qualidade que a gente já conhece, mas com uma identidade visual muito própria, fugindo daquela estética fria que a gente viu no novo Harry Potter, por exemplo.

Eu sinto que Rooster vai ser aquela série que divide opiniões no grupo de WhatsApp da família. Vai ter aquela sua tia que vai achar pesado demais e vai ter seu primo cinéfilo que vai dizer que é a maior obra-prima da década. Eu estou firmemente no segundo grupo. É difícil encontrar algo que seja tão genuíno e visceral sem parecer forçado. A série não está tentando te ensinar uma lição de moral, ela só está mostrando como é ser humano em 2026, com toda a bagunça que isso envolve.
Se você está procurando algo para assistir neste final de semana e está com o psicológico em dia (ou quer terminar de destruir o que sobrou dele), Rooster é o caminho. Não espere piadinhas de “That’s what she said”, mas espere um Steve Carell que vai te fazer querer dar um abraço nele e, cinco minutos depois, ter medo do que ele é capaz de fazer. É uma montanha-russa de emoções, do jeitinho que a gente gosta.
A temporada tem dez episódios e, se o nível continuar assim, a gente vai chegar no final pedindo por favor para ter uma segunda temporada logo. Ou talvez a gente precise de um retiro espiritual para processar tudo. De qualquer forma, a HBO acertou em cheio mais uma vez. Preparem os lencinhos, o vinho e o celular para comentar cada reviravolta comigo, porque eu prevejo que muita gente ainda vai perder o sono por causa dessa história.
Yumi Rodrigues
Já vi tudo, ainda acho que tem série boa pra descobrir
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