O criador de Skate Story falou o que nenhum dev fala: "se tá caro, pirateie"
Sam Eng colocou Skate Story na GOG por US$ 16 e pediu pra piratearem se ainda estiver caro. O jogo tem 97% de aprovação na Steam.
Sam Eng fez uma coisa essa semana que nenhum dev deveria precisar fazer, mas que todo jogador respeita: colocou o jogo dele na GOG por US$ 16 e postou no X uma frase que resume tudo. “Se ainda tá caro demais, pirateie, sinceramente.” Sem ironia, sem marketing disfarçado de humildade. O cara quer que as pessoas joguem o jogo dele e pronto.
E Skate Story merece ser jogado.
Pra quem não conhece: você é um demônio feito de vidro e dor, preso no Submundo. O Diabo te dá um skate com uma condição simples. Vá até a Lua e devore ela. Só assim você conquista a liberdade. Parece o tipo de premissa que alguém inventaria bêbado às três da manhã, e é exatamente por isso que funciona. O jogo não tenta ser realista. Tenta ser verdadeiro. E consegue.
Sam Eng desenvolveu Skate Story praticamente sozinho ao longo de anos, publicado pela Devolver Digital, que tem um histórico longo de apostar em projetos estranhos que dão certo. O jogo saiu em dezembro de 2025 para PC, PS5 e Nintendo Switch 2, e entrou no PS Plus Extra no mesmo dia do lançamento. Na Steam, tem 97% de aprovação com classificação “Overwhelmingly Positive”. No Metacritic, nota 81 da crítica. O PC Gamer elegeu como um dos melhores jogos de 2025.
O skate como linguagem
Skate Story não é um simulador. É um jogo de arcade com mais de 70 manobras, física própria e um sistema de combos que funciona como combate: você completa um combo, dá um stomp, e isso drena vida dos inimigos. A progressão funciona como um RPG: você vende pedaços da sua alma pra comprar shapes, rodas e trucks novos. O loop é viciante de um jeito que lembra os melhores momentos de OlliOlli World, mas com uma camada narrativa e visual que OlliOlli nunca tentou.
A direção de arte é o que gruda você na tela. Tudo tem essa textura de vidro quebrado, esse brilho doentio de submundo que não tenta ser bonito no sentido convencional. Tenta ser hipnótico. E a trilha sonora do Blood Cultures, um coletivo experimental de Nova Jersey, encaixa tão bem na proposta que parece ter sido composta junto com o jogo e não colada depois. Cada fase tem um clima, e a música não acompanha o clima. A música é o clima.

O gesto que importa
Quando Sam Eng postou “pirateie se tá caro”, ele não estava fazendo marketing. Estava dizendo algo que a maioria dos devs pensa mas não pode falar: que o preço de um jogo não deveria ser barreira pra alguém ter a experiência. Quando alguém no X mencionou que queria jogar pelo PS Plus, ele respondeu: “espero que chegue em muitas pessoas.”
Isso não é ingenuidade. É alguém que sabe que Skate Story já fez o que precisava fazer comercialmente. Está no PS Plus, está na Steam com avaliação altíssima, e agora chegou na GOG sem DRM, que é exatamente o tipo de loja que combina com essa filosofia. A GOG não tem proteção digital. Quem compra lá pode copiar o arquivo e mandar pro amigo. Sam Eng sabe disso. E colocou lá mesmo assim.
Num momento em que a indústria inteira está obcecada com Denuvo, com proteções que prejudicam a performance de quem compra o jogo legalmente, um dev olha pra câmera e diz “pirateie”. É um contraste que não precisa de editorial pra ficar óbvio.
No Brasil, a conta é outra
O jogo custa R$ 44,90 no PC (Steam), R$ 59,99 no Switch 2 e R$ 114,90 no PS5. A versão de PC é acessível pra padrões brasileiros. A do PS5 já pesa. E quem tem PS Plus Extra ou Deluxe nem precisa pagar nada separado, porque Skate Story está incluso no catálogo desde o lançamento.
Se você tem um PC minimamente decente ou assina PS Plus, não tem desculpa. E se não tem nenhum dos dois, bem. O Sam Eng já te deu permissão.
Por que você deveria ligar
Skate Story é o tipo de jogo que lembra por que a cena indie existe. Não é feito por comitê, não passou por focus group, não foi desenhado pra maximizar engajamento. É um cara que quis fazer um jogo sobre um demônio de vidro andando de skate até a Lua, e fez. Que a coisa toda tenha ficado linda, viciante e emocionante é quase um bônus.
E quando esse mesmo cara olha pro produto final e diz “se você não pode pagar, joga assim mesmo”, ele está dizendo algo sobre o que games significam pra ele. Não é produto. É experiência. E experiência, por definição, deveria ser acessível.
Skate Story está na GOG por US$ 16 essa semana, na Steam por R$ 44,90, e no PS Plus sem custo adicional. Joga.
Marina Costa
Entusiasta de tech e indie games
Especialista em games indie e multiplayer. Jogadora e analista de mecânicas de jogo.
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