Marathon lança dia 5 de março. Dois dias. E a Bungie escolheu exatamente agora pra confirmar que sim, o wipe sazonal de Marathon vai zerar todo seu loot, progresso de facção, nível de jogador e itens guardados a cada temporada. Não é opcional. Não tem como escapar. Acontece de três em três meses.
“Resets sazonais significam que o jogo permanece perigoso, o loot se mantém significativo e sempre existe uma boa oportunidade para voltar ao jogo ou trazer um amigo sem sentir que ficou pra trás”, escreveu a equipe de desenvolvimento no PlayStation Blog. Bonito no papel. Na prática, a comunidade tá rachada.
O que some e o que fica
Pra quem tá chegando agora: Marathon é um extraction shooter - um jogo em que você entra num mapa hostil, coleta loot, enfrenta outros jogadores e tenta sair vivo com o espólio. Pensa num Escape from Tarkov, mas com o visual sci-fi da Bungie e ambientado no planeta Tau Ceti IV.
A cada nova temporada, o jogo reseta:
- Todo equipamento equipado ou guardado no vault
- Progressão de contratos
- Progressão de facção e perks associados
- Nível do jogador
O que sobrevive: cosméticos (comprados ou conquistados), progresso do Codex (a lore do jogo), títulos desbloqueados e progressão de contratos de ligação com facções. Tudo que é visual ou narrativo fica. Tudo que é poder mecânico, tchau.

O dilema que divide a comunidade
Wipes não são novidade em extraction shooters. Escape from Tarkov faz isso há anos e a comunidade de Tarkov tem uma relação de amor e ódio com o sistema. Funciona porque nivela o campo de jogo - veteranos com arsenal de guerra perdem a vantagem, novatos ganham uma janela pra entrar sem estar meses atrás.
O problema é que Marathon não é Tarkov. É um jogo da Bungie, a empresa que fez Destiny 2. E se tem uma coisa que jogadores de Destiny conhecem é a frustração de ver conteúdo desaparecer. A sombra do content vaulting - quando a Bungie removeu expansões pagas de Destiny 2 - ainda assombra a reputação do estúdio.
A diferença crucial: todo conteúdo sazonal de Marathon será gratuito. Sem DLC, sem expansões pagas, sem season pass. Isso muda o cálculo. Você não perde algo que comprou. Perde algo que farmou. E na lógica de extraction shooters, farmar de novo faz parte do jogo.
Server Slam: 143 mil jogadores e muita reclamação
O wipe sazonal nem é a única polêmica. O Server Slam - o teste aberto final antes do lançamento - bateu 143.621 jogadores simultâneos na Steam no pico. Número forte. Mas caiu pra cerca de 43 mil no meio do teste, e a lista de reclamações cresceu junto.
Interface difícil de ler no meio do combate. Escassez de munição que transformava runs em frustração. Falta de lobby para duplas - só solo ou trio, o que forçava jogadores a entrar em desvantagem numérica. A Bungie já confirmou que está trabalhando no modo duo.
O mais curioso é que quem ficou mais tempo mudou de opinião. Vários jogadores descreveram Marathon como um “grower” - um jogo que clica depois de algumas horas. A questão é se a maioria vai ter paciência pra chegar lá.

Temporada 1 e 2: o que vem aí
A primeira temporada, chamada “Death Is the First Step”, traz o Cryo Archive - uma zona endgame dentro da nave UESC Marathon com combate em espaços fechados e puzzles estilo raid. Modo ranqueado entra no meio da temporada.
A segunda temporada, “Nightfall”, chega em junho e adiciona uma versão noturna do Dire Marsh, um novo Runner jogável chamado Sentinel e o sistema Cradle pra customizar atributos do personagem. Conteúdo robusto. E tudo grátis.
A Bungie claramente quer evitar o erro de Destiny 2, onde monetização agressiva corroeu a boa vontade da comunidade. Se vai funcionar é outra conversa.
O que isso significa pra quem tá de olho
Quem acompanha a cena de extraction shooters no Brasil sabe que o gênero tá em alta. Nossa cobertura de Arc Raiders mostrou como o formato funciona quando executado bem e como pode frustrar quando os sistemas não conversam.
Marathon entra nesse mercado com pedigree e com uma decisão ousada. Wipes sazonais obrigatórios são um all-in. Se funcionar, mantém o jogo vivo por anos. Se não, vai ser a piada mais cara da geração.
O jogo sai dia 5 de março pra PS5, Xbox Series X/S e PC. O relógio tá correndo. E quando a primeira temporada acabar em junho, todo mundo volta pro zero. Literalmente.
Carla Mendes
Cobrindo esports desde 2018
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