Stallone conta que ficou bulímico e chegou a 2,6% de gordura em Rocky III: "Ninguém faz isso sem aditivos e drogas, ponto"

Aos 80 anos, Stallone admite esteroides em ciclos de seis semanas, fala das nove cirurgias nas costas e da briga com o pai no set do primeiro Rocky.

Beatriz Almeida
Beatriz Almeida Cinema é entretenimento, e eu tô aqui pra diversão
26 de setembro de 2026 5 min
Sylvester Stallone como Rocky Balboa, sem camisa e com o corpo definido, erguendo os braços com luvas de boxe vermelhas diante de um fundo azul em foto de divulgação de Rocky III: O Desafio Supremo
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Rocky III: O Desafio Supremo é o filme de “Eye of the Tiger”, do Clubber Lang do Mr. T e da corrida na praia com Apollo Creed. É também o filme em que Sylvester Stallone aparece com cada músculo desenhado na tela. Quarenta e quatro anos depois, o próprio Stallone contou o custo daquele corpo: bulimia e esteroides. Aos 80 anos, divulgando o livro de memórias The Steps, ele falou sobre o assunto no podcast The Interview, do New York Times.

“Virou obsessão. Das piores. Chegou num ponto em que eu fiquei bulímico. Vocês ouviram aqui primeiro”, disse. “Cheguei a 2,6% de gordura corporal fazendo Rocky III e não conseguia segurar nada no estômago. Ou não queria segurar, porque fiquei obcecado em continuar naquele nível de forma, uma adoração obsessiva pelo corpo mesmo. E ninguém faz isso sem aditivos e drogas, ponto. Não me importa o que digam por aí”.

Quando o entrevistador perguntou direto se ele tomava esteroides, a resposta veio sem rodeio: “Meu Deus, tem que tomar. Mas você faz com cuidado, seis semanas usando, seis semanas parado. As pessoas falam: ‘Ah, ninguém fica assim naturalmente’. Não fica mesmo. Só que isso também cobrou um preço terrível”.

2,6% de gordura para enfrentar Clubber Lang

Percentual de gordura é quanto do peso do corpo é gordura. Com 2,6%, sobra quase só músculo, osso e água. Segundo Stallone, ninguém sustenta seis meses seguidos de treino nesse nível “comendo iogurte e pudim” sem ajuda química. “Não acontece”, disse.

Esse corpo era o produto. Stallone escreveu, dirigiu e protagonizou Rocky III, lançado em 1982, e o filme fez US$ 125 milhões só nos Estados Unidos, segundo o Box Office Mojo. Quem viu sabe que o terceiro Rocky vende pele esticada sobre músculo em cada luta contra o Mr. T. A franquia inteira aprendeu a vender o físico do protagonista como efeito especial, e o Rambo da mesma década seguiu a receita.

Eu amo Rocky III. Amo o Mr. T gritando no ringue, amo o Apollo virando treinador, amo o abraço na água. Rever essas cenas sabendo que o cara na tela não conseguia manter comida no estômago muda um pouco a sensação. A montagem de treino, que sempre foi a parte mais divertida do filme, passa a ser também a parte mais triste.

Nove cirurgias nas costas e três fusões no pescoço

“Eu abusei do meu corpo. Fiz nove cirurgias nas costas, duas no ombro, três fusões no pescoço. Está tudo amarrado com arame, mas eu continuo querendo ficar em forma”, contou ao New York Times, em trecho reproduzido pelo The Hollywood Reporter.

A virada só veio em 1997, com Cop Land: A Cidade dos Tiras, de James Mangold. Stallone engordou para fazer um xerife de cidade pequena, meio surdo e fora de forma, cercado de policiais corruptos. “Só quando fiz Cop Land, em que eu tinha que ser o cara mais fraco da sala, meio surdo, acima do peso, é que me senti de certa forma liberado”, disse. “Depois as coisas desandaram e eu caí em desgraça com Hollywood”.

Das cenas de risco que fez sem dublê, ele se arrepende: “Se eu pudesse fazer de novo, diria: ‘Deixa outra pessoa segurar essa e não faz as próprias cenas de risco’. Não sei o que eu tinha com essa história de me machucar o tempo todo”.

Segundo o TheWrap, Stallone já tinha admitido que usou testosterona para voltar a Rambo em 2008, com 60 e poucos anos. Alan Ritchson, o Reacher da Prime Video, e Frank Grillo também falaram abertamente de testosterona para ganhar massa e se recuperar de treino. A maioria dos astros que ganham dezenas de quilos de músculo para um papel desconversa quando alguém pergunta como chegou lá. Stallone respondeu com “ponto” no fim da frase, e essa é a resposta mais útil que Hollywood deu sobre o assunto em anos, porque tira da conta a ideia de que aquele corpo sai só de frango e disciplina.

O pai tocando o sino na luta final de Rocky

No primeiro Rocky, de 1976, Stallone deu ao pai, Frank Stallone Sr., uma ponta como o homem que toca o sino na luta final contra Apollo. Queria que ele finalmente tivesse orgulho do filho.

“Era tipo: eu só quero que você me ame um pouquinho. Olha o que eu fiz! Divide isso comigo. Sei que você me achou um bobo a vida inteira, mas olha onde a gente chegou”, contou, segundo o Deadline. “E claro que terminou em briga no fim. Ficou feio mesmo. Um drama italiano daqueles. Mas por um momento eu pensei: meu Deus, ele vai ficar orgulhoso”.

Stallone descreve o pai como “muito, muito frio e duro”, com explosões seguidas de silêncio total, e diz que deixou muita coisa fora do livro “porque não queria se fazer de coitadinho”. Os dois só fizeram as pazes no fim da vida de Frank, que morreu em 2011.

The Steps sai dia 29 e Eu Sou o Rocky chega em novembro

The Steps, cujo título vem da escadaria do Museu de Arte da Filadélfia, sai nos Estados Unidos em 29 de setembro pela William Morrow, selo da HarperCollins. Stallone escreveu o livro inteiro à mão.

No cinema, a história do primeiro Rocky vira filme em Eu Sou o Rocky, de Peter Farrelly, o diretor de Green Book. Anthony Ippolito faz o Stallone jovem que escreve o roteiro e briga para ser o protagonista, Stephan James faz Carl Weathers e Matt Dillon faz Frank Stallone Sr. A Diamond Films lança o filme nos cinemas brasileiros em 19 de novembro. Vou querer ver o Matt Dillon tocando aquele sino.

Beatriz Almeida
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Beatriz Almeida

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Redatora de entretenimento e cultura pop. Cobre blockbusters e tendências do audiovisual.

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