A Sony reescreveu do zero o upscaling do PS5 Pro. A versão antiga não sobrevive à comparação.

O PSSR 2.0 do PS5 Pro chega em março com algoritmo e rede neural completamente novos, nascidos da parceria que criou o FSR 4.

Bruno Silva
Bruno Silva Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas
28 de fevereiro de 2026 6 min
Console PS5 Pro com destaque para a tecnologia de upscaling PSSR 2.0
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O PSSR 2.0 do PS5 Pro chega em março como atualização de sistema gratuita. A inteligência artificial que melhora a imagem dos jogos foi reescrita do zero - novo algoritmo, nova rede neural (o “cérebro” da IA que aprende a reconstruir imagens). E o mais interessante: a tecnologia por trás disso não é exclusiva da Sony. Nasceu de uma parceria com a AMD que também gerou o FSR 4 pra PC.

Vamos destrinchar o que muda e por que isso importa.

O que é o PSSR e por que a versão 1.0 decepcionou

PSSR significa PlayStation Spectral Super Resolution. É o sistema de upscaling do PS5 Pro - uma tecnologia que pega a imagem do jogo em resolução mais baixa e usa inteligência artificial pra reconstruir essa imagem com qualidade próxima ao 4K real. O resultado é que o jogo fica bonito como se estivesse rodando na resolução máxima, mas sem exigir tanto do hardware, o que permite manter a fluidez da imagem (o famoso 60 quadros por segundo).

Na Nvidia, essa tecnologia se chama DLSS. Na AMD, FSR. A Sony fez a dela pro PS5 Pro: o PSSR.

O problema é que a versão 1.0, lançada junto com o PS5 Pro em novembro de 2024, recebeu críticas consistentes. Artefatos visuais em bordas de objetos, cintilação em vegetação (aquele efeito de brilho tremendo em folhas e grama), perda de nitidez em texturas finas. Quem comprou o console esperando qualidade de imagem no nível do DLSS ficou na mão. A tecnologia funcionava, mas não com a precisão que o preço do console sugeria.

O que muda no PSSR 2.0

Segundo o post oficial do PlayStation Blog, a nova versão “adota uma abordagem muito diferente não apenas na rede neural, mas também no algoritmo geral.” Mark Cerny descreveu o PSSR como “uma biblioteca de IA que analisa imagens do jogo pixel por pixel durante o upscaling.”

Na prática, o que muda:

  • Rede neural completamente redesenhada, treinada com seis meses adicionais de refinamento
  • Algoritmo novo que trata de forma diferente detalhes finos como cabelos individuais e texturas complexas
  • Melhor tratamento de serrilhado nas bordas de objetos em movimento (aquele efeito “escadinha” que aparece em linhas diagonais)
  • Nova opção no sistema: “Aprimorar qualidade de imagem PSSR” nas configurações de vídeo do PS5 Pro

Masaru Ijuin, da Capcom, disse que o upgrade “nos permitiu elevar a expressividade ao processar com sucesso detalhes e particularidades texturais que são tradicionalmente difíceis de escalar por causa de sua complexidade.” Resident Evil Requiem, lançado dia 27 de fevereiro, é o primeiro jogo a usar o PSSR 2.0 nativamente.

Comparação de qualidade de imagem do PSSR 2.0 em Resident Evil Requiem no PS5 Pro

A Digital Foundry, canal especializado em análise técnica de jogos e referência na área, classificou a melhoria como “gigantesca.” E considerando que a análise da DF sobre o PSSR original foi uma das mais citadas na hora de criticar a tecnologia, isso diz muito.

Project Amethyst: de onde veio a tecnologia

Aqui fica técnico, e é onde a história fica interessante.

O PSSR 2.0 não é um esforço solo da Sony. A base tecnológica vem do Project Amethyst, uma colaboração entre Sony e AMD anunciada em 2024. O objetivo era desenvolver inteligência artificial especializada em melhorar gráficos de jogos em tempo real.

O primeiro fruto público do Project Amethyst foi o FSR 4 da AMD, que jogadores de PC já conhecem. A mesma pesquisa em aprendizado de máquina que alimentou a melhoria de imagem do FSR 4 agora volta pra dentro do PS5 Pro como PSSR 2.0, com seis meses extras de otimização pro hardware específico do console.

Mark Cerny fez questão de dizer que o Project Amethyst “não existe em prol de tecnologia proprietária” e que as tecnologias desenvolvidas estão “disponíveis livremente para qualquer cliente da AMD.” É uma declaração importante: significa que os avanços do PSSR podem beneficiar o FSR no PC e vice-versa. O processo de desenvolvimento é compartilhado.

E tem mais no horizonte. A AMD mencionou que o Project Amethyst está trabalhando em duas tecnologias novas pra uma futura versão chamada FSR Redstone: Frame Generation (que cria quadros intermediários pra deixar o jogo mais fluido) e Ray Regeneration (que melhora a qualidade dos efeitos de iluminação realista sem custar tanto desempenho). Se seguir o padrão, essas tecnologias eventualmente chegarão ao PS5 Pro também.

Upscaling em 2026: onde cada tecnologia está

Pra contextualizar:

  • DLSS (Nvidia): referência do mercado, melhor qualidade geral, mas exclusivo pra GPUs RTX
  • FSR 4 (AMD): grande salto sobre o FSR 3, nasceu do Project Amethyst, roda em hardware AMD
  • PSSR 2.0 (Sony): versão do FSR 4 adaptada e otimizada pro PS5 Pro, com seis meses extras de refinamento
  • XeSS (Intel): melhorou bastante, mas ainda atrás de DLSS e FSR 4

O PSSR 2.0 basicamente coloca o PS5 Pro no mesmo patamar do FSR 4 - que já é competitivo com o DLSS em muitos cenários, especialmente em cenas escuras como as de RE Requiem.

O que você precisa fazer (e o que não precisa)

Se você tem um PS5 Pro, a atualização chega em março via software de sistema. Basta atualizar e ativar a opção “Aprimorar qualidade de imagem PSSR” nas configurações. Mais de 50 jogos que já suportam PSSR vão se beneficiar automaticamente, sem precisar de atualização individual dos desenvolvedores. Os estúdios podem opcionalmente lançar atualizações pra otimizar ainda mais, mas o ganho base vem de graça.

A lista exata de jogos compatíveis não foi divulgada, mas a Sony confirmou que qualquer título com suporte ao PSSR original se beneficia automaticamente.

O elefante na sala: R$7 mil

O PS5 Pro chegou ao Brasil custando R$6.999. Na época, a Sony estava enfrentando críticas por monetização agressiva no ecossistema PlayStation e muita gente questionou se o preço fazia sentido pra uma versão intermediária de console. Hoje o console já aparece por R$5.579 na Amazon, mas ainda é um investimento pesado.

O PSSR 2.0 não muda o preço. Mas muda consideravelmente a proposta de valor. A maior crítica técnica ao console - que o upscaling não entregava o prometido - está sendo endereçada com uma atualização grátis. Quem comprou PS5 Pro e se sentiu lesado pelo PSSR original tem agora um motivo real pra reconsiderar. E quem estava em cima do muro ganha mais um argumento pro lado do “sim.”

Ainda é um console de R$7 mil. Mas agora é um console de R$7 mil com upscaling que funciona como deveria ter funcionado desde o começo.

Bruno Silva
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Bruno Silva

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