O Windows condenou 240 milhões de PCs à morte. A solução mais óbvia custa zero reais.

O fim do suporte ao Windows 10 ameaça transformar 240 milhões de PCs em lixo. Linux roda neles de graça - e surpreende.

Bruno Silva
Bruno Silva Entusiasta de hardware e overclocker nas horas vagas
7 de março de 2026 7 min
Tela de notebook com terminal Linux aberto, representando a alternativa gratuita ao Windows para PCs antigos
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O suporte ao Windows 10 acabou em outubro de 2025. Desde então, segundo a consultoria Canalys, cerca de 240 milhões de PCs no mundo inteiro ficaram sem atualizações de segurança e sem caminho claro de atualização. A Microsoft recomenda comprar um computador novo. A alternativa que ela não menciona é instalar Linux no notebook antigo que você já tem - de graça, em menos de meia hora.

O problema que a Microsoft criou

Quando a Microsoft lançou o Windows 11, ela aumentou drasticamente os requisitos de hardware. O sistema exige TPM 2.0 - um chip de segurança que a maioria dos PCs anteriores a 2018 simplesmente não tem - e processadores específicos. Na prática, isso significa que milhões de máquinas que rodam perfeitamente qualquer aplicativo do dia a dia foram excluídas da atualização.

O número da Canalys é difícil de visualizar. Se você empilhasse esses 240 milhões de notebooks fechados um sobre o outro, a pilha seria 600 quilômetros mais alta que a Lua. A própria Microsoft chegou a publicar um documento sugerindo que usuários com PCs incompatíveis considerassem “reciclar o dispositivo” - o que gerou críticas pesadas de ambientalistas e da comunidade tech.

Para quem não quer jogar o PC fora nem ficar exposto sem atualizações de segurança, a Microsoft oferece o programa ESU (Extended Security Updates), que mantém as atualizações por mais tempo. O preço: 61 dólares no primeiro ano, 122 no segundo e 244 no terceiro. Pagar para continuar usando o computador que você já comprou.

Pilha de lixo eletrônico incluindo computadores e periféricos descartados

O teste: antiX num Asus de 2013

O XDA Developers fez o teste que eu queria ver: pegaram um Asus X102BA de 2013, uma máquina com processador AMD A4-1200 dual-core, míseros 2GB de RAM e que veio originalmente com Windows 8. Tentaram instalar o Windows 11 e o sistema rejeitou o hardware na hora - o processador não suporta a instrução PopCnt exigida pelo Windows 11.

Forçaram a instalação mesmo assim. O desktop demorou minutos para carregar. O menu Iniciar levava uma eternidade para abrir. Inutilizável.

Aí instalaram o antiX, uma distribuição Linux feita especificamente para hardware limitado. O antiX usa ambientes gráficos leves como Fluxbox e IceWM, que consomem uma fração da memória que o Windows exige. O resultado: desktop responsivo, gerenciador de arquivos funcionando, Firefox navegando, LibreOffice rodando. O autor do teste escreveu o artigo inteiro naquele notebook de 13 anos.

A frase dele resume tudo: “Estou escrevendo isso no LibreOffice com antiX Linux num laptop muito velho e lento, mas é surpreendentemente usável.”

Qual distro escolher

Linux não é um sistema só - existem centenas de versões (chamadas distribuições) otimizadas para usos diferentes. Para PCs antigos, as que se destacam são:

  • antiX: roda em máquinas com apenas 256MB de RAM. Ideal para o hardware mais antigo que você conseguir encontrar
  • Lubuntu: versão leve do popular Ubuntu, usa entre 400 e 600MB de RAM em máquinas com 4GB. Interface familiar para quem vem do Windows
  • Linux Mint Xfce: a mais parecida com o Windows visualmente. Boa para quem nunca usou Linux e não quer sentir que mudou de planeta
  • Puppy Linux: completa o boot em menos de 20 segundos numa máquina com 512MB de RAM. O sistema inteiro cabe em 300MB
  • Tiny Core: o extremo. O sistema inteiro ocupa 16MB. Sim, megabytes

A regra geral: se seu notebook tem 4GB de RAM ou mais, Linux Mint ou Lubuntu vão rodar tranquilo. Se tem 2GB ou menos, antiX ou Puppy Linux são as apostas certas.

Notebook antigo aberto sobre mesa, representando os milhões de PCs que podem ser ressuscitados com Linux

O que funciona e o que não funciona

Preciso ser honesto aqui porque Linux não é solução mágica. O que funciona bem: navegação web, edição de texto e planilhas (LibreOffice), e-mail, streaming de vídeo, até edição leve de fotos com GIMP. Para uso doméstico e de escritório, cobre tudo.

O que não funciona tão bem: jogos que dependem de DirectX (embora o Steam tenha melhorado muito o suporte via Proton), alguns periféricos que só têm driver para Windows, e softwares específicos como a suíte Adobe. Se você depende do Photoshop ou do Excel com macros pesadas, Linux vai exigir adaptação.

Para a maioria das pessoas que usam o computador para navegar, assistir vídeo, trabalhar com documentos e acessar redes sociais? Linux faz tudo isso. E faz mais rápido que o Windows fazia quando o notebook era novo.

Como instalar Linux no seu notebook velho (passo a passo)

Não precisa ser técnico. Se você já instalou o Windows alguma vez na vida, o processo é parecido - e mais simples do que era há cinco anos.

O que você vai precisar:

  • Um pendrive de pelo menos 4GB (8GB é o ideal)
  • O notebook velho (conectado na tomada, por segurança)
  • Outro computador ou celular para baixar a distribuição
  • Uns 30 a 40 minutos de paciência

Passo 1: escolha a distribuição. Se seu notebook tem 4GB de RAM ou mais, baixe o Linux Mint Xfce - é a mais parecida com o Windows e tem tudo que você precisa pré-instalado. Se tem 2GB ou menos, vá de antiX ou Lubuntu. O arquivo que você vai baixar é um ISO, geralmente entre 1,5GB e 2,5GB.

Passo 2: grave o ISO no pendrive. Baixe o programa balenaEtcher (funciona no Windows, Mac e Linux). Abra, selecione o arquivo ISO, selecione o pendrive e clique em “Flash”. Leva uns 5 minutos. O pendrive vai ser formatado, então salve qualquer coisa importante que esteja nele antes.

Passo 3: dê boot pelo pendrive. Espete o pendrive no notebook velho e ligue a máquina. Aperte F12, F2 ou Delete repetidamente durante a inicialização (a tecla varia por fabricante - Asus geralmente é F2, HP é F9, Dell é F12, Lenovo é F12). No menu de boot, selecione o pendrive.

Passo 4: teste antes de instalar. A maioria das distribuições oferece a opção “Experimentar sem instalar” na primeira tela. Use isso. O Linux vai rodar direto do pendrive, sem mexer em nada no seu disco. Teste se o Wi-Fi funciona, se o touchpad responde, se o som sai. Se tudo parecer ok, prossiga.

Passo 5: instale. Clique no ícone “Instalar” que aparece na área de trabalho. O instalador vai pedir idioma (português do Brasil está disponível em todas as distros grandes), fuso horário, nome de usuário e senha. Na parte de particionamento, se você não precisa mais do Windows, escolha “Apagar disco e instalar”. Se quiser manter os dois sistemas, escolha “Instalar ao lado do Windows” - o instalador cuida de tudo.

Passo 6: reinicie e pronto. Retire o pendrive quando o instalador pedir, reinicie, e você tem um notebook funcional de novo. O Linux Mint já vem com navegador (Firefox), suíte de escritório (LibreOffice), reprodutor de mídia e gerenciador de atualizações. Praticamente tudo que o computador precisa para funcionar no dia a dia.

Uma dica: se o Wi-Fi não funcionar de cara (raro, mas acontece em alguns modelos mais antigos), conecte um cabo de rede ethernet, abra o Gerenciador de Drivers e instale o driver correto. Geralmente resolve em dois cliques.

O mercado já entendeu

A Back Market, plataforma francesa de eletrônicos recondicionados, começou a vender notebooks HP e Lenovo antigos por 99 euros com ChromeOS Flex ou Ubuntu Linux pré-instalado. A empresa planeja expandir a iniciativa e ensinar usuários a trocar o sistema por conta própria com tutoriais em vídeo.

No Brasil, onde os preços de hardware já estão subindo por causa da crise de memória, ressuscitar um notebook parado na gaveta faz ainda mais sentido. A Microsoft não tem incentivo para te dizer que Linux existe - cada PC abandonado é um cliente potencial para um Surface novo ou para os 61 dólares anuais do programa de atualizações estendidas.

Mas o hardware não morreu. A Microsoft é que deixou de dar suporte. E a solução está a um pendrive de distância.

Bruno Silva
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Bruno Silva

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